HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE FEIRA DE SANTANA

No século XVI teve início, na Bahia, o comércio do gado e, com sua expansão, os comerciantes e boiadeiros procuraram as melhores vias para a sua locomoção. Por volta de 1600, João Lobo Mesquita, recebe por cessão do proprietário da sesmaria "Casa da Ponte", uma grande área de terras, povoando-a em gado, escravos e moradias, abrindo a "estrada de boiadas" para o sertão, e em 1650 as vende a João Peixoto Viegas. No século XVIII, o português, Tenente Domingos Barbosa de Araújo e sua mulher Ana Brandão, adquiriram dos descendentes de João Peixoto Viegas a fazenda "Sant’Anna dos Olhos D’Água". Para satisfação do espírito religioso de ambos, em 28 de setembro de 1832, doa cem braças em quadra, para a construção da Capela de Senhora Sant’Anna e São Domingos. Em torno da Capela, graças ao seu posicionamento, no encontro de várias estradas , e da existência de aguadas, começa a surgir a feira livre de gado e a formação do arraial, com a construção de casebres de rendeiros e as senzalas pouso obrigatório de tropas, viajantes, boiadeiros e tropeiros que, pela Estrada Real Capoeiruçu, provinham do alto sertão, não só da Bahia, como de Minas Gerais, Goiás e Piauí, em demanda ao Porto de Nossa Senhora do Rosário de Cachoeira, à margem do Rio Paraguaçú, onde se localizavam grandes estabelecimentos de tecidos e mercadorias diversas, pertencentes a comerciantes portugueses. Estas terras, que passariam a constituir o Arraial de Sant’anna da Feira, por morte dos proprietários, foram julgadas devolutas e incorporadas à Fazenda Nacional em 7 de setembro de 1845. No lugarejo começou a se reunir uma pequena feira livre, no primeiro dia da semana, que se tornou um centro de permuta, afamando-se a tal ponto que atraia ao arraial feirantes de toda parte e chegando a serem abatidas 50 reses por feira, ao passo que no lugarejo cresciam a abertura de ruas, os habitantes, as lojas e o movimento comercial.

Seu desenvolvimento econômico levou os habitantes a pedirem a criação do município, sendo elevada à categoria de Vila, concretizado pelo Decreto de 13 de novembro de 1832, considerado autônomo, desmembrado de Cachoeira, com instalação solene, em 18 de setembro de 1833, pelo Presidente da Câmara Municipal da Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto de Cachoeira, Tenente Luiz Ferreira da Rocha, arrebatando da Freguesia de São José das Itapororocas a posição de sede da freguesia, por Lei de 19 de março de 1846. Do território municipal primitivo, em 1833, faziam parte as freguesias de São José das Itapororocas, Santana do Camisão e Santíssimo Coração de Jesus do Pedrão. As duas últimas foram mais tarde desanexadas para constituir território de novos municípios.

A Lei provincial nº. 1320, de 16 de junho de 1873, concedeu foros de cidade à sede municipal, com a denominação de "Cidade Comercial de Feira de Santana".

Os Decretos estaduais números 7455 e 7479, de 23 de junho e 8 de agosto de 1931, respectivamente, simplificaram o nome de Feira de Santana, para Feira. Esta denominação, todavia, mais uma vez foi modificada para o atual topônimo de Feira de Santana, a partir da vigência do Decreto estadual nº. 11089, de 30 de novembro de 1938.