Amo e dou vexame, sem medo de ser feliz

Sempre fui daquelas pessoas que quando amam, dão vexame. Não nos moldes de Roberto Freire, que em seu livro AME e dê VEXAME* defende um amor anarquista - que não cobre fidelidade, continuidade ou exclusividade. Para quem ainda não o leu, de acordo com a teoria do autor, o ideal é que o indivíduo fique totalmente apaixonado pela pessoa que está ao seu lado, no momento em que estão juntos e enquanto esse durar. É um amor, segundo ele, que se sente na pele e não no coração.

Até concordo com algumas coisas do que Freire diz no livro, mas ainda prefiro um amor que conjugue pele e coração. Não que eu aprecie àquele tipo de amor que aprisiona! Sou adepta de um verso que diz: “Se amas alguém, deixa-o livre. Se voltar é teu. Se não voltar, nunca o foi”. Não acredito que alguém seja feliz ao lado do outro, em troca da anulação de seus objetivos, de seus desejos, de sua família, do seu trabalho ou de suas amizades. Em minha opinião, para ser completa, uma relação deve ter o eu, o tu e o nós.

Contudo, creio sim em um amor romântico, que muitas vezes nos faz dar vexame. Àquele em que nos entregamos com exclusividade, em que não nos furtamos de dizer “eu te amo” por medo de demonstrar fragilidade ou parecer ridículo, que nos faz deixar bilhetinhos em locais e momentos inesperados e, nos leva a surpreender nosso par com os mais inusitados presentes.

É certo que já me dei mal algumas vezes em nome desse amor lírico. Foram nessas ocasiões que já dei verdadeiros vexames. Até me convencer que estava com a pessoa errada, que não era correspondida na mesma proporção ou por não acreditar que um amor, que eu supunha até então ser perfeito, não era como eu pensava, paguei grandes micos – nem queiram imaginar o que - e sofri até mais do que deveria.

Mesmo assim não me arrependo de nada do que fiz e vivi. É como disse Vinícius de Moraes: “Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito (e intenso) enquanto dure”. E assim vou vivendo, amando e feliz por ter encontrado o homem da minha vida!!

* FREIRE, Roberto. AME e dê VEXAME. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1990.

Beijos para quem é de beijos....

Abraços para quem é de abraço....

Cleide Almeida é jornalista do Feira News

cleidemaisfm@hotmail.com

(75) 9136-2089

 

                                                   

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