Medo de amar

Não faz muito tempo, zapeando pelos canais da minha TV, me deparei com a chamada para uma reportagem no mínimo curiosa. Falava sobre pessoas que optaram pela solteirice por absoluta convicção. Não sei de que forma a matéria foi abordada porque, confesso, no dia anunciado tive um programa mais interessante. Mas isso me levou a questionar quem realmente, lá no fundo, prefere a solidão de não ter ninguém certo a nem sempre doce, mas prazerosa, companhia de um outro alguém.

Ora! O homem, embora um ser racional, é um animal como qualquer outro. E como tal, passa em geral toda sua existência em busca de um par. Quando falo isso não me refiro somente a necessidade de cópula, mas àquela natural busca pelo parceiro ideal. Acho até que há fases em nossas vidas em que precisamos de um tempo pra nós mesmos, sem o estresse característico de uma relação estável, sem ninguém que nos cobre atitudes ou comportamentos pré-concebidos. Mas daí a dizer que isso é legal pra toda a vida!

Não sei... acho estranho! Parece mais com uma síndrome comum a muitos adultos dos tempos modernos: o medo de amar. Ou melhor, o medo de sofrer. Creio que esse, sim, é o grande vilão dessa estória. O que me faz lembrar de algo que li. Era um experimento científico feito com objetivos de descobrir algo, se não me engano, relacionado com o medo.

Um cientista teria colocado um rato em uma gaiola com um prato de comida. E o prato em questão fora eletrificado. Ao se aproximar do alimento, o animalzinho levara uma descarga elétrica tão forte, que mesmo faminto, até a conclusão do procedimento, não voltou para saciar sua vital necessidade de comer. O cientista já havia até desligado o sistema elétrico, mas ignorando o fato, quando a fome era muito forte, o bichinho se arriscava em voltar ao ponto onde sofrera o choque. Contudo, ao lembrar da dor que sentira, sem ao menos tocar no alimento era acometido pela sensação de que lavava um segundo choque. Tinha taquicardia, seus pêlos se eriçavam e ele corria novamente em direção oposta ao prato. 
Acredito que da mesma forma agem as pessoas – com maior freqüência os homens – quando se trata do assunto. Depois que passam pela experiência de sofrer por amor, desenvolvem um certo pânico em relação a isso. É aí que arrumam desculpas para a sua covardia. Uma delas é aquele conhecido dito popular que acabou virando chavão: “Antes só do que mal acompanhado”.

Mas será que vale pena fugir assim? No meu caso em particular, prefiro me guiar por algo muito bem traduzido nos versos de alguém chamado Soren Kiekegaard: "Arriscar-se é perder o pé por algum tempo. Não se arriscar é perder a vida...".

 

Beijos para quem é de beijos....

Abraços para quem é de abraço....

 

Cleide Almeida é jornalista do Feira News

cleidemaisfm@hotmail.com

(75) 9136-2089

 

                                                   

Topo da Página