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No final, tudo dá certo
As
pessoas se acostumam com algumas conquistas — que, na maioria das vezes, nem
são lá grandes coisas — e, quando as perdem, acham que o mundo desabou.
Muita calma nessa hora. No final, tudo dá certo.
É assim, por exemplo, no trabalho. O imbecil do seu chefe, que nunca te deu
chance de mostrar suas qualidades, resolve cortar gastos e começa pelo seu
emprego, como se o seu salário mixuruca fosse mudar alguma coisa na saúde
financeira da empresa. Você fica arrasada. E a prestação do celular? E o
perfume do Boticário que comprou de três vezes da colega de trabalho? E o
aluguel?
Aí parte para a primeira ponte que aparecer. Afinal, neste mundo cruel não
vale a pena viver. Eis que aparece aquele CDF da terceira série. Aquele
feioso que sempre foi apaixonado por você e você nunca deu bola. Pois não é
que ele se tornou um homem interessante? Agora é advogado e trabalha num
grande escritório que precisa urgentemente dos seus serviços. Ah, paga cinco
vezes mais do que aquele outro emprego que, graças a Deus, você foi
demitida, não existe plantão no feriado e todos os sábados você está livre.
Com um pouco de sorte, você ainda pode arranjar um bom partido...
É assim também no amor. Aquela mulher que você jurava que ia ser a mãe dos
seus filhos se manda. Aí bate o desespero. Como viver sem ela? Quem vai te
fazer queimar, derreter nas noites frias? Ponte novamente...
A caminho toca o telefone. É aquela sua amiga que odiava sua namorada te
convidando pra um jantar. Aí você pensa: se é pra morrer, que seja de
estômago cheio.
Depois de um fettuccine al pesto imbatível, que, após algumas taças de vinho
você não consegue parar de elogiar, sua amiga te apresenta a responsável
pelo manjar. Meu Deus!!! Duas semanas depois e ela (a do fettuccine) te
mostra que sua ex — aquela ciumenta que não entendia seus poemas, não sabia
nada de literatura e tinha um gosto cinematográfico duvidoso — te fez um
favor. Então, você ouve "Obrigado (Por ter se mandado)", do Cazuza, a todo
volume, no carro em direção à felicidade.
É sempre assim. A vida tende a dar certo. A Lei de Murphy só vale para os
pessimistas. Um sábio disse uma vez que antes de pensar em Murphy, devemos
pensar num Ex-Murphy, mais tarde conhecido como Smurf. Filósofo de pouca
estatura, azul, barbudo e progenitor de centenas de pequenas criaturas
azuis. Perseguido por Gargamel, dizia que se algo pode dar certo, dará.
Beijos para quem é de
beijos....

Cleide Almeida é
jornalista do Feira News
cleidemaisfm@hotmail.com
(75) 9136-2089
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