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O amor verdadeiro
Em um artigo anterior comecei a tratar da imprevisibilidade do
amor. Como o assunto não se esgota fácil, terminei o texto
prometendo que voltaria a falar do tema, com a variável do
encontro do amor verdadeiro. Este que todos buscam, mas
poucos acreditam encontrar. Como saber quando finalmente se
está diante dele? Já vou avisando que não tenho a menor
idéia da resposta.
De uma forma muito cafajeste eu poderia dizer que certeza, certeza
sobre este encontro só se vai ter quando o amor acabar e se
puder avaliar a quantidade de boas lembranças, o tamanho da
mágoa e as marcas deixadas para um tempo muito além. E se
for amor para toda a vida? Aí é esperar que exista mesmo
vida após a morte e comunicação com o além para saber. Mas
em ambos os casos, a informação já vem tarde demais para
quem não aproveitou bem este encontro. Aí não vale.
Então, de novo, como saber se aquela pessoa que está entrando em
sua vida é só uma história divertida ou alguém a quem valha
se dedicar inteiramente? Não dá para saber, o melhor,
acredito, é se entregar ao momento e ir buscando aos poucos
e atentamente a resposta dentro de si.
Há quem espere ouvir sinos tocando e ver estrelinhas no dia que o
verdadeiro amado aparecer. Também conheço muita gente que
precisa da emoção constante da taquicardia e suores frios
cada vez que encontra o ser amado. Eu, por minha vez, não
acredito em mágica e sim na força do cotidiano.
Vamos esclarecer: Nem de longe estou minimizando o efeito da reação
química que acontece quando você encontra alguém que pode
ser especial. Química emocional e química sexual são
fundamentais para evitar que o fulano ou fulana seja
descartado logo no primeiro dia.
Mas feito este descarte inicial, entre os que ficam, mais uma vez a
pergunta: ele é especial? Para mim, esta certeza não é obra
de um dia. Vem naturalmente quando coisas pequenas alcançam
dimensões realmente importantes.
Acho que se está amando quando a vida da outra pessoa começa a se
entrelaçar prazerosamente com a sua; quando tomar café da
manhã juntos é um ato mecanicamente agradável; quando a
opinião do outro é essencial nas suas escolhas, não para
agradá-lo, mas porque ele lhe conhece tão bem; quando a mais
tola brincadeira entre os dois pode diverti-los por horas;
quando se sente uma falta imensa do outro num momento, para
depois nem perceber que ele não está ali de tão presente que
já está na sua vida; quando o sexo é tão entregue e
descomprometido, que continua prazeroso mesmo depois da
milésima vez.
São de detalhes assim que, na minha visão, é feito o grande
amor. De pequenas coisas do cotidiano e de grandes momentos
que só podem ter significado para os dois.
Mas não um mar sem tempestades. Amor de verdade tem brigas, crises,
chateação e até as horas em que você enjoa do outro. A
questão é que quando se encontra alguém que nos faz sentir
feliz, vale a pena desistir da busca do amor mítico de
contos de fadas e investir na realidade, com todas as falhas
que ela tem. Vale perdoar, vale ser perdoado, lutar para
ficar junto e até suportar o quase insuportável, que às
vezes nem é tão insuportável assim. O mais difícil é fazer
isso sem se cobrar a certeza de estar vivendo o amor
verdadeiro, mas com a certeza de que estar feliz e fazer
alguém feliz é uma forma de amar. E acima de tudo, a certeza
de que um dia de cada vez pode ser mais verdadeiro que a
promessa do felizes para sempre.
Beijos para quem é de
beijos....
Abraços para quem é de
abraço....

Cleide
Almeida é jornalista do Feira News
cleidemaisfm@hotmail.com
(75)
9136-2089
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