Minha pátria é minha língua

Bem ao acaso, parei em frente à TV e sintonizado estava um canal com as Olimpíadas de Pequim. Um dia anterior, foi a mesma coisa. Por feliz coincidência, eram atletas brasileiras que faziam a disputa.

Quiçá, havia alguma vibração, ou uma ação do inconsciente coletivo, que tivesse feito me voltar à atenção para o que estava acontecendo, ali, naquele momento, na telinha, com aquelas imagens transmitidas, em tempo real, a milhares de quilômetros de distância de minha aldeia. Além de me deslumbrar com os avanços da tecnologia, que há muitos vigora em nosso cotidiano, deparei-me com uma agradável sensação que algum tempo não me dava conta.  – O patriotismo. Nada singular, clichê, devoção a bandeira, hino, brasão; mas, à tona, veio bem forte, um amor pelo meu país.

A nossa equipe feminina de ginástica artística, liderada por Daiane dos Santos, encerrou a fase de classificação com vaga garantida em quatro finais.  E a conquista da primeira medalha do Brasil em 2008. Inédita. Um bronze com a judoca Ketleyn Quadros, na categoria até 57kg. A ficha ainda está caindo – declarou a judoca, logo após, acirrada luta. Também, pudera foi o melhor resultado feminino do judô brasileiro na história das Olimpíadas.

Não eram esportes, popularizados aqui; entretanto, simbolicamente, havia um valor imenso ao significado desses acontecimentos. Há toda uma carga simbólica que entremeia o fato. E um ponto em comum. Tanto Ketleyn quanto Daiane superaram as adversidades econômicas, os contrastes sociais; que muitas das vezes, refletem negativamente, no lado emocional humano, tendo em vista um objetivo – a superação em torno de ideal.

Ambas são mulheres, negras, exceção das desigualdades de gênero e estatísticas oficiais, quer no campo do mercado de trabalho ou nas taxas de alfabetização e escolaridade. Elas sonharam um dia serem atletas e hoje estão aí, do Brasil para o mundo. Daí minha satisfação. O patriotismo veio nesse sentido. Palavra que muitas das vezes é aplicada pelos demagogos e políticos que visam auto-promoção; o patriotismo veio em mim bom e desejável, com o verde-amarelo estampado, com tropicalidade e toda a amplitude de nação.
Viva o Brasil!!


Cleide Almeida é jornalista do Feira News

cleidemaisfm@hotmail.com

(75) 9136-2089

 

 

 

Topo da Página