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Paixão nacional Um estilo literário adaptado, que do rádio foi para TV, e foi se misturando aos conceitos e pré-conceitos sociais, vivido num mundo colorido, fantasiado, estereotipado, criado à imagem e semelhança às cenas da vida. É claro que estamos falando da novela. A 'soap opera', como dizem os americanos, que quase todo brasileiro não dispensa. Seu horário é nobre. De tarde, também 'vale a pena ver de novo'. A novela é uma paixão nacional. Não é verdade? Assim como o futebol, a novela incluiu-se no cardápio de consumo da família brasileira. Da novela quase todo mundo gosta. Do magnata ao cobrador do ônibus. Tem gente que só cumpre um compromisso social depois (ou antes) de assistir 'sua' novela. Dizem que Zeca Baleiro, maravilhoso cantor maranhense, é do tipo que manda gravar o capítulo perdido de 'sua' novela favorita, durante seus períodos de gravação e turnês, para depois assisti-los, todos, de uma só vez. Revelação bem curiosa essa para um moderno compositor popular. Certamente, a novela é assunto de muitas rodas femininas e masculinas por aí. Isso mesmo, masculina. Muitos não assumem, mas adoram uma novela. Os motivos vão desde oportunidade para acompanhar tramas a ver atrizes como Camila Pitanga exibindo talento sob belas curvas. A televisão é magnética, pelo seu mecanismo natural de criação. E junto ao bom nível de produção na teledramaturgia brasileira temos um dos mais rentáveis produtos dentro do mercado do entretenimento diante da lógica da Indústria Cultural no país. Na novela, grandes investidores disputam no mercado publicitário. Nela, se dita moda, comportamento, opiniões. E olha que nem se faz mais novelas como antigamente... Foi um marco, quando criança, as trilhas sonoras de O Bem Amado, Pai Herói e Água Viva. E vi: Vereda Tropical, Ti ti ti, Fera Radical, O Outro, Roque Santeiro e Top Model. Elas são inesquecíveis, quer dizer, em minha opinião. Mas houve um momento em que as novelas tornaram-se, pra mim, insuportáveis e as deixei de assistir. Passaram-se uns anos...Hoje deixando o radicalismo um pouco de lado, quando ligo a TV, depois dos jornais, termino dando preferência a elas. Sem traumas, sem neuras, vejo para entreter, justificando seu caráter fundamental. E assim vi: 'Mulheres Apaixonadas' e 'Páginas da Vida'. Presto atenção no figurino de cada personagem, na atuação de atrizes natas como Glória Pires, na beleza inspiradora de Marcelo Antony, nas locações indiscutíveis do Rio de Janeiro, e nos diálogos, muitas das vezes, surpreendentes. Outro dia, dei conta de um. - Cara de pau não é exclusividade masculina. Fiquei impressionada com a semiótica desta frase. Mas aí, nada de catarse. Por mais que seja o espelho, a novela não é vida real. Até mesmo porque o final da estória quase todo mundo sabe antes do último capítulo. E na vida, quem sabe...
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