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Às vezes fico me perguntando o que leva uma criatura a ser supersticiosa. Durante a famigerada Copa do Mundo, vi alguém jurar que o Brasil não ganhou a partida contra a França porque ela (a pessoa) saiu de casa e não assistiu ao jogo sentada em seu sofá, como fez nas outras partidas. Quebrou a corrente! Se o resto do Brasil sabe disso, pense num linchamento.
E o pior é que as pessoas
acreditam com tanta força, que choram por prejudicarem o bom encaminhamento
das coisas com suas atitudes, digamos, impensadas. Se essa pessoa tivesse
ficado em casa, com certeza o Brasil venceria. Pôxa, que falta! Aquela palavrinha de quatro letras que não se deve dizer para não gerar “má sorte”. Deus me livre de falar na frente dos supersticiosos. E na virada do ano, quantas ondinhas são mesmo? E as uvas, cujos caroços têm que ser guardados o ano todo, salvo engano. Ainda tem a lentilha. No Natal é peru, no Ano Novo não pode porque cisca para trás. Só pode porco, porque fuça para frente. Não ri que a coisa é séria. Pior é ter que lembrar disso tudo, para não se sentir estranho no ninho. Lembro que numa virada do ano me perguntaram pelas uvas. Ainda bem que eu as tinha na geladeira, apesar de serem para consumo próprio, afinal nem sabia da “simpatia supersticiosa”. Resultado: Tive que socializar e não deu para quem quis. Espero que tenha dado sorte.
Pior são aqueles que dizem
que não são supersticiosos e tomam banho com dois quilos de sal grosso na
virada do ano e ainda obrigam a gente a fazer o mesmo. Quando eu era pequena, virava as sandálias e ficava esperando para ver se alguém morria mesmo, depois ficava com medo e desvirava. Nunca tive coragem de esperar e descobrir se acontece mesmo. O problema é esse. A gente fica com medo das coisas darem errado caso não se faça como está estabelecido pela superstição (como a história do jogo) e termina supersticiosa também.
Cleide Almeida é jornalista do Feira News cleidemaisfm@hotmail.com (75) 9136-2089
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